Natura entra na era da beleza sob medida com ajuda da IA
Empresa inicia testes regulatórios de máquinas que criam fragrâncias e bases de maquiagem personalizadas para cada consumidor
Tatiana Ponce, CMO e Head de Inovação da Natura e Avon. Créditos divulgação Natura.
A Natura deu início a uma fase inédita de customização de cosméticos, unindo inteligência artificial ao desenvolvimento físico do produto. O objetivo é fabricar itens únicos, ajustados ao perfil de cada pessoa, no próprio momento da compra — começando pelas categorias de perfumaria e maquiagem.
Perfume personalizado feito com base a partir de uma conversa
No caso das fragrâncias, a experiência começa com uma interação via chatbot: o consumidor responde perguntas sobre gostos pessoais, lembranças e sensações que gostaria de evocar. Com base nesse diálogo, um sistema cruza as respostas e monta a composição olfativa, escolhendo entre mais de 50 essências disponíveis. O resultado é um frasco exclusivo, identificado individualmente na hora do envase — podendo gerar até três versões diferentes por pessoa. A novidade será apresentada publicamente no FILE Festival, evento de arte e tecnologia que ocorre entre 20 de agosto e 11 de outubro em São Paulo.
Base de maquiagem pronta em minutos
A segunda iniciativa mira as bases da linha Natura Una de acordo com o tom e subtom da pele em menos de uma hora. A ideia é que uma máquina consiga produzir uma base facial compatível com o tom e o subtom de pele do cliente em um intervalo de tempo curtíssimo — menos de uma hora. Esse equipamento ainda não estreou, mas a chegada está prevista para breve.
Como a empresa conseguiu testar
Esse tipo de inovação só avançou porque a Natura negociou, ao longo de vários anos, a criação de um espaço regulatório experimental junto à Anvisa — um mecanismo que permite testar tecnologias novas de forma controlada, com acompanhamento do órgão, antes de qualquer regra formal existir.
A aprovação para começar os testes saiu recentemente, com validade de um ano, e a expectativa da empresa é usar esse período para gerar dados técnicos que ajudem a moldar futuras normas do setor, bem como abrir espaço para levar esse tipo de personalização para lojas físicas de beleza.
De acordo com a CMO e head de inovação da Natura e Avon, Tatiana Ponce, esse movimento de personalização está entre as mudanças mais relevantes que a indústria da beleza viveu em décadas recentes.
Personalização em números
O movimento da Natura acompanha uma tendência que já vem sendo medida globalmente. Estimativas de mercado apontam crescimento acelerado para o segmento de beleza personalizada: de acordo com a pesquisa da The Business Research Company o mercado de "próxima geração de beleza personalizada" saindo de US$ 55,98 bilhões em 2026 para US$ 97,1 bilhões até 2030, crescendo a um ritmo de 14,8% ao ano — bem acima do avanço médio do setor de cosméticos como um todo, calculado pela Precedence Research em 6,56% ao ano no mesmo período.
Ainda, segundo levantamento da Business Research Insights, 67% dos consumidores hoje dizem preferir fórmulas personalizadas às padronizadas, e 61% das marcas já oferecem algum tipo de customização via quiz digital ou diagnóstico por inteligência artificial. Entre a Geração Z, o interesse é ainda mais concreto: de acordo com dados citados pela Demand Sage, 7 em cada 10 compradores toparia pagar pelo menos 10% a mais por uma experiência de compra personalizada.





